Por que os urubus não ficam doentes quando comem carne podre?

Se você é uma pessoa observadora, já deve ter percebido que os urubus são capazes de comer a carne podre de vários animais sem ficar doentes. Eles frequentemente consomem as sobras de outros predadores e até mesmo comem carcaças tão decompostas que outras criaturas nem sequer chegariam perto.

Para os urubus, doenças como o antraz, a peste bubônica (que devastou a Europa na Idade Média) e o vírus da raiva, que podem causar doenças graves em humanos e outros animais, surpreendentemente não representam nenhuma ameaça.

Então, como esses necrófagos voadores lidam com esses patógenos? Por que os urubus não ficam doentes mesmo quando comem carne podre?

Estômago dos urubus é mais resistente do que parece

Os estômagos de um modo geral contam com uma arma em particular contra patógenos: o ácido estomacal. A comida que geralmente comemos, cozida ou não, contém alguns micróbios, mas eles dificilmente conseguem prosperar por conta do ácido estomacal, que é o primeiro agente responsável por aniquilar esses infiltrantes.

Os micróbios que conseguem passar pelo ácido do estômago de uma pessoa (o ácido do estômago de um humano possui valor 2 na escala de pH) podem causar doenças, estabelecer residência no intestino como um membro mais pacífico da microflora intestinal ou ser excretados do sistema. Por outro lado, o estômago de um urubu é uma verdadeira barreira de ferro praticamente insuperável!

Os urubus geralmente têm um pH estomacal de 0,7. Para se ter uma ideia, isso é tão ácido que essas aves conseguem até dissolver ossos! Muito poucos animais podem digerir ossos porque a proteína que os compõe (o colágeno) é excessivamente dura para as enzimas.

Na verdade, o ácido estomacal dos urubus é tão forte que pode até mesmo dissolver balas de chumbo. Obviamente, embora um urubu possa tolerar ameaças biológicas, seu corpo não pode sobreviver à toxicidade do chumbo, então ingerir uma bala de chumbo, por exemplo, acabaria envenenando o pássaro. Ainda assim, é interessante notar quão resistente é esse tipo de ave.

Sistema imunológico dos urubus também é poderoso

Embora seja importantíssimo, um estômago corrosivo não explica sozinho a resistência dos urubus aos patógenos. Além de toda a acidez envolvida, qualquer bactéria sorrateira que eventualmente conseguir sobreviver às condições infernais do estômago de um urubu acabará sendo confrontada com um sistema imunológico poderoso.

Um estudo publicado na revista Genome Biology descobriu que os genes de algumas espécies de urubus diferem dos tradicionais pássaros predadores em termos de secreção de ácido, sistema imunológico e respiração. Isso indica que a evolução pode ter levado esses abutres a desenvolver sistemas imunológicos especiais que os tornaram capazes de lidar melhor com uma alta carga de patógenos.

Vale destacar que ainda não conhecemos o mecanismo exato de como o sistema imunológico dos urubus ataca os patógenos, mas os pesquisadores acreditam que estudar o sistema imunológico desses animais e outros seres necrófagos pode nos ajudar a entender como nosso próprio sistema imunológico lida com os patógenos e talvez dê origem a um novo conjunto de tratamentos contra doenças.

Eles também contam com “amigos microbianos”

Nem todos os micróbios são necessariamente vilões. Alguns micróbios são tão benéficos que, em troca de sua hospedagem no organismo, fornecem nutrientes ao hospedeiro. No caso dos urubus, essas aves possuem um conjunto considerável de “amigos microbianos” que as protegem de serem infectadas.

É importante deixar claro que o intestino não é a única área do corpo dos urubus com micróbios. Até mesmo o rosto dessas aves, que costuma ficar coberto de carne podre e que às vezes entra em contato até mesmo com as fezes do animal morto, tem sua própria comunidade abundante e variável de micróbios. Na prática, alguns desses microrganismos parecem oferecer proteção adicional aos urubus.

Um estudo focado na examinação da pele de urubus e perus encontrou uma bactéria de nome científico Acinetobacter calcoaceticus no rosto desses animais. Essa bactéria produz fenol, um produto químico comumente usado para desinfetar coisas e que aparenta servir, pelo menos em parte, como uma espécie de desinfetante para o rosto dessas criaturas.

No fim das contas, com um estômago incrivelmente ácido, um exército de células imunológicas especializadas e uma unidade impenetrável de micróbios, os urubus acabam se tornando seres extremamente bem adaptados para ingerir comida em decomposição.

E então, sabia todas estas coisas?

Vamos aprender, sempre! Conhecimento é sempre bem vindo. Lembre-se de deixar a sua opinião nos comentários e se tiver mais alguma curiosidade para compartilhar, estamos ansiosos para saber.

Total
0
Shares
Artigo Anterior

12 Curiosidades incríveis sobre a Tupperware

Próximo Artigo

Por que o rugido dos leões é tão alto?

Postagens Relacionadas