Por que os países não utilizam uma única moeda global?

Se você já assistiu a algum filme da franquia Star Wars, sabe que existe uma unidade monetária na trama que prevalece em toda a galáxia. Eles o chamam de Crédito Padrão Galáctico ou Crédito Imperial, dependendo da época do filme em questão. Consequentemente, isso levanta uma questão interessante: seria possível todas as nações do mundo utilizarem uma moeda global?

Obviamente, essa ideia pode parecer muito estranha e fantasiosa à primeira vista, mas certamente não sou o primeiro a considerá-la. Estudiosos eminentes e com credenciais fortes já propuseram ideias semelhantes durante a maior parte dos séculos XX e XXI. Em 1984, Richard Cooper, um professor da Universidade de Harvard, chegou a propor a ideia de promover “a criação de uma moeda comum para todas as democracias industriais, com uma política monetária comum e um banco central para determinar tal política monetária”.

Em tese, uma proposta desse tipo traria tanto vantagens como vantagens, como analisaremos ao longo deste artigo.

As supostas vantagens de ter uma única moeda global

Na prática, uma moeda global poderia ser vantajosa se cada nação operasse como uma economia autossustentável, pois simplificaria as transações internacionais. O rápido crescimento da tecnologia e as melhorias drásticas realizadas nas conexões de transporte criaram uma economia global onde as transações internacionais em várias moedas são comuns, mas ainda altamente custosas.

Basicamente, múltiplas moedas levam a maiores custos de transação e aumentam a complexidade da produção de vários bens. Por exemplo, um fabricante de laptop nos Estados Unidos pode comprar seus discos rígidos do Japão usando ienes, adquirir suas telas da Coreia do Sul pagando em won sul-coreano e montar o dispositivo em uma fábrica chinesa cujo contrato é selado em renminbi.

Converter uma moeda em outra antes de cada transação é uma tarefa muito custosa. Morrison Bonpasse, presidente da Single Currencies Association, afirma que boa do volume médio diário de negociações é pago somente para custos de transação. Estes custos envolvem os pagamentos dos comerciantes de moeda, sua equipe de suporte, sistemas de computador, etc.

Além disso, ao lidar com várias moedas, as empresas também precisam contornar os riscos associados às flutuações nas taxas de câmbio. Para mitigar essas quedas sem precedentes na lucratividade, as empresas se “protegem” através de uma estratégia financeira complexa. Basicamente, é um grande esforço que custa muito dinheiro.

Dito isto, pode-se argumentar que a utilização de várias moedas para a realização de transações acaba aumentando o custo de fazer negócios. Por isso, uma moeda global regulada por uma união monetária internacional anularia a maioria dos custos de transação e eliminaria todas as formas de riscos cambiais. No entanto, isso também traria desvantagens como veremos no tópico a seguir.

As iminentes desvantagens de ter uma única moeda global

Como já foi dito anteriormente, uma única moeda global seria governada, em tese, por um banco central internacional. Esse banco seria essencialmente responsável pela política monetária de todo o mundo. No entanto, o grande problema por trás disso é que cada nação tem seu próprio conjunto de problemas financeiros. Desse modo, a política monetária de uma nação pode ser uma ferramenta poderosa para mitigar problemas como inflação e recessão.

Durante uma recessão, por exemplo, os cidadãos reduzem seus gastos, o que faz com que as empresas não obtenham lucro e demitam parte de sua força de trabalho. Em tal cenário, o banco central desse país pode intervir com ajustes em sua política monetária, como baixar as taxas de juros, imprimir uma moeda nova e oferecer títulos do governo para aumentar a oferta de moeda e impulsionar a economia.

Por outro lado, se uma nação estiver enfrentando uma inflação severa, o banco central nacional pode intervir e aumentar as taxas de juros, pedindo aos bancos que mantenham maiores reservas e essencialmente reduzam a oferta de moeda na economia.

Como esse raciocínio em mente, se um banco central internacional definisse uma política monetária global, ele precisaria equilibrar as prioridades conflitantes e em constante mudança de todas as nações, tanto daquelas sofrendo com uma recessão quanto das que lutam contra a hiperinflação. Consequentemente, projetar uma política sofisticada o suficiente para atender às necessidades de todas as nações do mundo seria uma façanha impossível.

Possibilidades para o futuro

Embora existam argumentos convincentes a favor e contra a adoção de uma moeda global, pode haver um meio-termo de possibilidades. Tal como a União Europeia, poderíamos ter grupos de países em estado de desenvolvimento e proximidade geográfica semelhantes compartilhando uma moeda comum. Como alternativa, em vez de uma moeda única, poderíamos ter um punhado de moedas semelhantes.

O ativo de reserva global do FMI, o “Direito Especial de Saque” (SDR), é exatamente isso. Atualmente, o SDR consiste em dólar americano, euro, renminbi chinês, iene japonês e libra esterlina, pois são as moedas mais utilizadas no mundo. O SDR ou algo semelhante pode ser usado com mais frequência como reserva de valor em transações internacionais, a fim de evitar muitos dos custos de conversão associados.

Uma outra possibilidade seria a “dolarização” ou “euroização” do mundo, onde as nações optariam por aceitar o dólar americano ou o euro como sua moeda nacional, transformando duas das moedas mais sólidas em moedas globais. O grande problema, novamente, ainda seria conciliar economias totalmente distintas com a utilização de uma única moeda.

Com isso em mente, o que nos resta é permanecermos abertos à possibilidade de que o melhor sistema monetário para a economia global seja um golpe de gênio completamente novo que ainda não foi proposto.

E então, sabia todas estas coisas?

Vamos aprender, sempre! Conhecimento é sempre bem vindo. Lembre-se de deixar a sua opinião nos comentários e se tiver mais alguma curiosidade para compartilhar, estamos ansiosos para saber.

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