Por que não enxergamos bem debaixo d’água?

Se você costuma nadar com frequência, já deve ter percebido que nós, seres humanos, não enxergamos muito bem debaixo d’água. No momento em que mergulhamos, nossa visão tende a sofrer uma mudança drástica com relação ao seu desempenho, de modo que as coisas logo começam a ficar mais turvas e ninguém consegue ver muita coisa à frente.

O mesmo efeito pode ser observado se você mergulhar a cabeça em um balde cheio de água (grande o suficiente para acomodar sua cabeça, obviamente). Embora você até possa enxergar o fundo do balde mantendo a cabeça submersa, você ainda notará que sua visão será bastante diferente do que costuma ser acima da superfície da água.

Mas, afinal de contas, por que isso acontece? Por que o simples ato de ficar debaixo d’água traz um efeito tão dramático para nossa visão? São estas as questões que vamos abordar ao longo deste artigo!

Não enxergamos bem debaixo d’água por causa da refração da luz

Em algum momento da sua vida, você provavelmente estudou sobre a “refração” da luz, possivelmente durante as inúmeras aulas de ciências no ensino médio. Para simplificar, isso tem a ver com o fato de que, quando a luz viaja de um meio para outro, ela se curva ligeiramente. É este o fenômeno conhecido como refração da luz.

Na prática, isso ocorre porque a luz geralmente apresenta velocidades ligeiramente diferentes em meios distintos. Por exemplo, a velocidade da luz na água é reduzida a três quartos de sua velocidade no vácuo. Portanto, ela parece se curvar ao entrar (ou sair) da água.

O índice de refração é o indicador da velocidade da luz em diferentes meios. A água, por exemplo, tem um índice de refração de 1,33. Em resumo, isso significa que a velocidade da luz no vácuo é 1,33 vezes mais rápida do que a velocidade da luz na água.

Não enxergamos bem debaixo d’água por conta da estrutura do olho humano

A visão, seja em condições normais ou embaixo d’água, também é totalmente influenciada e controlada pela forma como o olho humano é projetado. O olho humano pode ser classificado em três partes: o olho externo, o médio e o interno, sendo que a interação desses três componentes é o que afeta a maneira como enxergamos.

A córnea, um constituinte do olho externo, ajuda a focalizar a luz que entra no globo ocular. A porção intermediária consiste em uma lente que é circundada por uma camada de líquido (chamada humor aquoso).

O componente mais importante do olho interno é a “tela”, chamada retina, onde tudo o que vemos é finalmente projetado e enviado ao cérebro para processamento posterior por meio do nervo óptico.

Tudo o que vemos ao nosso redor reflete a luz. Quando digo “luz”, não me refiro apenas a um ou dois raios (como é amplamente demonstrado em vários diagramas ópticos para explicar esses conceitos); na verdade, é um aglomerado de milhares e milhares de raios consistindo de fótons que entram no olho.

A córnea curva ligeiramente a luz e a transmite para o cristalino, que imediatamente entra em ação e concentra os raios de luz na retina. Este processo funciona muito bem em condições normais, mas basta mergulharmos debaixo d’água para todo este cenário mudar drasticamente.

Uma palavra final

A diferença nos índices de refração do ar e da córnea é significativa o suficiente para dobrar a luz que entra no globo ocular antes de ser enviada para a lente.

É exatamente por isso que os mergulhadores usam máscaras de mergulho planas, já que a janela da máscara permite que uma camada de ar seja formada entre o olho do usuário e a água ao redor, o que por sua vez facilita a curvatura da luz antes que ela entre no olho.

Deixando a ciência de lado, a lição mais importante (que pode até salvar sua vida) é que nunca devemos contar apenas com nossos próprios olhos para detectar o perigo debaixo d’água. Buscar ajuda artificial através de equipamentos de mergulho é sempre uma ótima ideia e ajudará a mantê-lo seguro quando estiver submerso.

E então, sabia todas estas coisas?

Vamos aprender, sempre! Conhecimento é sempre bem vindo. Lembre-se de deixar a sua opinião nos comentários e se tiver mais alguma curiosidade para compartilhar, estamos ansiosos para saber.

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